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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

A Igreja responde à petição do Human Rights Campaign: declaração sobre a atração por pessoas do mesmo sexo

"A paternidade e o amor universal de Deus atribuem a cada um de nós um inato e reverente reconhecimento de nossa dignidade humana compartilhada."

Legendas em português




A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias emitiu o seguinte comunicado através de um porta voz da Igreja após a entrega de uma petição pela Human Rights Campaign.

Meu nome é Michael Otterson. Estou aqui representando a liderança de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias para abordar a questão da petição apresentada hoje pela Human Rights Campaign.

Enquanto discordamos com a Human Rights Campaign em muitos fundamentos, nós também compartilhamos de alguns pontos em  comum. Na semana passada todos testemunhamos mortes trágicas em todo o país como resultado de bullyning ou intimidação de jovens gays. Unimos nossa vós com outros em condenação sem reservas de atos de crueldade ou tentativas de menosprezar ou zombar de qualquer grupo de indivíduos que é diferente – quer essas diferenças surjam pela raça, religião, desafios mentais, condição social, orientação sexual ou por qualquer outro motivo. Tais ações simplesmente na tem lugar em nossa sociedade. 

Essa Igreja sentiu o amargo ferrão da perseguição e marginalização no início de nossa história. Quando éramos tão poucos em número para nos proteger de forma adequada e, quando os líderes da sociedade sempre pareciam indispostos a ajudar. Nossos pais, jovens adultos, adolescentes e filhos devem, portanto, entre todas as pessoas, serem especialmente sensíveis para os vulneráveis em nossa sociedade e estarem dispostos para falar contra o bullying e a intimidação onde quer que isso ocorra, incluindo crueldade para com aqueles que são atraídos por pessoas do mesmo sexo. Isso é particularmente verdade em nossas próprias congregações de Santos dos Últimos Dias. Cada família e indivíduo Santos dos Últimos Dias deveriam considerar qual de suas atitudes e ações para com os outros refletem propriamente o segundo grande mandamento de Jesus Cristo – amar uns aos outros.
Como Igreja, nossa posição doutrinária é clara: qualquer atividade sexual fora do casamento é errada, e nós definimos o casamento como uma associação entre um homem e uma mulher. Porém, isso não deve nunca, jamais ser usado como justificação para crueldade. Jesus Cristo, a quem nós seguimos, foi claro em sua condenação da imoralidade sexual, mas nunca cruel. Seu interesse foi sempre erguer o indivíduo, nunca o derrubar.

Além disso, enquanto a Igreja é fortemente apontada como opositora do casamento entre pessoas do mesmo sexo, ela tem abertamente apoiado outros direitos para gays e lésbicas, como proteções de habitação ou de trabalho.

A doutrina da Igreja é baseada no amor. Acreditamos que nosso propósito na vida é aprender, crescer e nos desenvolvermos, e que o amor incondicional de Deus permite a cada um de nós alcançarmos nosso potencial. Nenhum de nós está limitado por nossos sentimentos ou inclinações. Em última análise, somos livres para agir por nós mesmos.

A Igreja reconhece que aqueles de seus membros que são atraídos por outros do mesmo sexo experimentam profundo sentimentos emocionais, sociais e físicos. A Igreja faz distinção entre sentimentos ou inclinações em um lado e comportamento em outro. Não é um pecado ter sentimentos, apenas ceder à tentação.

Não há dúvida de que isso é difícil, mas os líderes e membros da Igreja estão disponíveis para erguer, apoiar e encorajar outros membros que desejam seguir a doutrina. Sua luta é nossa luta. Aqueles na Igreja que são atraídos por alguém do mesmo sexo mas permanece fiel aos ensinamentos da Igreja podem ser felizes durante essa vida e realizar um serviço significativo na Igreja. Eles podem desfrutar da plena comunhão com outros membros da Igreja, incluindo freqüentar e servir nos Templos, e finalmente, receber todas as bênçãos concedidas a quem guarda os mandamentos de Deus.

Obviamente, alguns irão discordar de nós. Esperamos que qualquer divergência seja baseada em uma compreensão completa de nossa posição e não em distorções ou interpretações seletivas. A Igreja continuará a falar para garantir que sua posição seja compreendida corretamente.

A paternidade e o amor universal de Deus atribuem a cada um de nós um inato e reverente reconhecimento de nossa dignidade humana compartilhada. Devemos amar uns aos outros. Devemos tratar uns aos outros com respeito como irmãos e irmãs e filhos de Deus, não importa o quanto sejamos diferentes uns dos outros.
Esperamos e firmemente acreditamos que dentro dessa comunidade, e em outras, a bondade, persuasão e boa vontade possam prevalecer.

Tradução: João Henrique Pereira

Nota: artigo publicado originalmente em 12 de outubro de 2010 no site de notícias de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (mormon  newsroom).

Fonte: www.mormonnewsroom.org

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Presidente Reagan estimava a Igreja



Por Stephen M Studdert
Presidente da Missão California Carlsbad
Publicado: sábado, 12 de junho de 2004


Com o falecimento do Presidente Ronald Reagan, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias perdeu um amigo verdadeiro.

Presidente Reagan conhecia e amava os Santos dos Últimos Dias e tinha a Igreja na mais alta consideração.

Desde seus dias como governador da Califórnia, as doutrinas e os princípios da Igreja atraíram seu constante interesse. Como presidente, ele freqüentemente perguntava sobre os programas da Igreja.

Em excursão pela Fábrica de Conservas da Igreja em Ogden Utah, o Presidente Gordon B. Hinckley explicou o programa de bem-estar da Igreja para ele.  Com seu sorriso que é sua marca tradicional Presidente Reagan respondeu que ele já conhecia sobre o programa de bem-estar pelo que observou na Califórnia, e então lamentou com admiração. “Ó, se nosso programa de bem-estar federal funcionasse tão perfeitamente.”

Seu relacionamento com Deus era pessoal e profundo. Ele amava a América e sempre falava sobre seu propósito divino e da origem inspirada de sua Constituição. Em uma reunião quando visitava a sede da Igreja, ele ternamente partilhou aqueles sentimentos com os líderes da Igreja.

Rigorosamente contra o comunismo, ele conhecia o valor essencial do arbítrio individual para uma sociedade livre e vibrante. Cada indivíduo era importante para ele. Uma vez quando saia de um elevador num hotel da Cidade de Lago Salgado, ele andou cerca de dez passos e então se virou. Aqueles entre nós com ele queriam saber onde ele estava indo. Ele retornou para o elevador e apertou a mão do operador do elevador, e desculpou-se por não parar para apertar sua mão na saída.

De uma maneira não-partidária, líderes da Igreja eram seus hóspedes bem-vindos. Os Presidentes da Igreja Spencer W Kimball, Ezra Taft Benson e Gordon B Hinckley foram cada um bem recebidos no Salão Oval com respeito e amizade.

Ronald Reagan verdadeiramente admirava os Santos dos Últimos Dias. Sua administração incluía mais membros da Igreja do que a de qualquer outro presidente dos Estados Unidos já teve. 

Três de nós, David Fischer, Gregory Newel e eu, servimos em sua equipe pessoal da Casa Branca. Richard Wirthlin foi seu estrategista chefe. Ted Bell serviu como Secretário da Educação, Angela Buchanan foi Tesoureira, Rex Lee foi procurador-geral. Sua equipe na Casa Branca incluiu Roger Porter, Brent Scowcrogt, Richard Beal, Blake Parish, Jon Huntsman Jr., Dodie Borup e Rocky Kuonen, e havia muitos outros Santos dos Últimos Dias em toda a sua administração. O Presidente Thomas S. Monson serviu na Comissão Presidencial de Voluntariado. Outros foram embaixadores. Senadores e representantes SUD foram tidos em especial consideração, e o Coro do Tabernáculo foi seu convidado especial de posse.

Ele costumeiramente encerrava seus discursos dizendo, “Deus Abençoe a América.” Seria apropriado para nós hoje dizer com gratidão, “Deus Abençoe a América, e Ronald Reagan.”

Stephen M. Studdert serviu como assistente especial do Presidente Reagan.

Fonte: http://www.ldschurchnews.com/articles/45685/President-Reagan-respected-Church.html 


Tradução: João Henrique Pereira

Nota: o artigo foi escrito por ocasião da morte do ex-presidente Ronald Reagan em 5 de junho de 2004.

sábado, 21 de dezembro de 2013

A Religião Possibilita a Moralidade Social, Diz o Élder Christofferson

A religião tem a “capacidade única” de incentivar “uma prestação de contas moral que leva ao autocontrole”, de acordo com o Élder D. Todd Christofferson, do Quórum dos Doze Apóstolos. “Falo do conceito religioso do arbítrio moral — de que todos nós somos pessoalmente responsáveis perante Deus por nossas escolhas e nossas ações em relação ao governo e uns aos outros. A disciplina voluntária individual criada por princípios religiosos é essencial, como algo prático, para que haja o estado de direito eficiente e efetivo.”

O Élder Christofferson abordou este assunto quando recebeu o Prêmio de Distinção por Serviço Público de 2011 em 21 de outubro da seção da Área da Baía de São Francisco da BYU Management Society por sua liderança administrativa e religiosa.

Ele continuou dizendo: “É uma ironia que, enquanto um acordo sobre valores e obrigações morais que sustém a lei decai, os governos se sentem compelidos em multiplicar as leis e regulamentações numa tentativa de manter a ordem. Em longo prazo, entretanto, a lei sozinha não pode compensar a ausência de moralidade e autocontrole por parte dos cidadãos comuns”.
Antes de ser chamado como Autoridade Geral, o Élder Christofferson possuía uma carreira jurídica de destaque. Ele se formou na Universidade Brigham Young, formou-se em direito na Universidade Duke e serviu como assistente de juiz em Washington, D.C.

Fonte: https://www.lds.org/prophets-and-apostles/unto-all-the-world/religion-enables-social-morality-elder-christofferson-says?lang=por

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Lição 2 - Vida, Liberdade e a Procura da Felicidade


A seguinte aula é a segunda de uma série de traduções e adaptações de doze aulas do site Latter Day Conservative lá intituladas como 12 Lesson course on Liberty  e neste blog como 12 Lições sobre a Liberdade.



Vida, Liberdade e a Procura da Felicidade

Lição 2

DEUS É A FONTE DE TODA A LUZ, VERDADE E INTELIGÊNCIA. ELE É TAMBÉM A FONTE DOS DIREITOS DOS HOMENS

“Consideramos essas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais, dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a procura da felicidade.” (Declaração de Independência dos EUA)

A declaração de independência dos EUA assegura que Deus dotou o homem de certos direitos fundamentais. Esses direitos não podem ser violados por ninguém, nem mesmo o governo. Podemos perder alguns desses direitos, e enfrentar certas consequências, se escolhermos infringir os direitos de outros.
O grande Thomas Jefferson perguntou:

“Pode a liberdade de uma nação ser considerada segura quando removermos sua única base firme, uma convicção na mente do povo de que essas liberdades são um dom de Deus? Que elas não podem ser violadas sem despertar sua ira? (Works 8:404; P.P.N.S., p.141)

Iniciando na fundação das pirâmides, deixe-nos primeiro considerar a origem dessas liberdades que temos conhecido como direitos humanos. Há apenas duas fontes possíveis. Direitos são dados por Deus como parte de um Plano Divino, ou eles são dados pelo governo como parte de um plano político. Razão, necessidade, tradição e convicções religiosas, tudo me leva a aceitar a origem divina desses direitos. Se nós aceitarmos a premissa de que os direitos são concedidos pelo governo, então devemos aceitar o corolário de que eles podem ser negados pelo governo. Eu, por exemplo, jamais aceitarei essa premissa. Conforme o economista francês, Frederick Bastiat, expressou isso de forma sucinta “A vida, a liberdade e a propriedade não existem pelo simples fato de os homens terem feito leis. Ao contrário, foi pelo fato de a vida, a liberdade e a propriedade existirem antes que os homens foram levados a fazer as leis.” (A Lei, p.9) (Ezra Taft Benson, The Proper Role of Government)


Considere também a seguinte declaração feita pelo Presidente David O. McKay:
"Se o homem deve ser recompensado pela retidão e punido pelo mal, então a justiça comum requer que a ele seja dado o poder de ação independente[...] Se  eles fossem coagidos para a fazer o que é certo em todos os momentos, ou fossem incapazes de serem seduzidos a cometer pecados, eles não mereceriam nem uma bênção pelo primeira nem punição para o segunda.' ("Free Agency... A Divine Gift", Improvement Era, May 1950, 366.) 

O Que é um Direito Fundamental?

O seguinte vídeo oferece uma definição de Direitos Fundamentais (em inglês):


Direitos Fundamentais são aqueles direitos que todas as pessoas podem simultaneamente clamar sem forçar alguém a servir a suas necessidades (assista ao vídeo acima para ver exemplos e mais explicações).

Qual é a diferença entre Arbítrio, Liberdade e Independência?

Deixe-nos primeiro considerar as escrituras que usam esses três termos implicando sentidos diferentes:
Portanto os homens são livres segundo a carne; e todas as coisas de que necessitam lhes são dadas. E são livres para escolher a liberdade e vida eterna por meio do grande Mediador de todos os homens, ou para escolherem o cativeiro e a morte, de acordo com o cativeiro e o poder do diabo; pois ele procura tornar todos os homens tão miseráveis como ele próprio. (2 Nephi 2:27)
Analise a afirmação "eles são livres para escolher a liberdade". Você pode também querer ler os versículos ao redor nesse capítulo para entender o contexto completo.

É-nos dito que somos livres para ecolher liberdade ou cativeiro. A escolha implica que temos arbítrio, ou a habilidade para escolher entre Liberdade e Escravidão. Somo livres para escolher, o que significa que temos a habilidade para realizar a ação que irá decidir o resultado. Nesse caso, podemos escolher o caminho da Liberdade ou do Cativeiro/Escravidão.

Arbítrio é a habilidade para escolher uma ação, enquanto Liberdade é a capacidade para realizar uma ação. Qual a diferença? Aqui está um exemplo. Você tem o arbítrio ou a habilidade para fazer a escolha de visitar um site, e pode fazer essa escolha mesmo se você não tem um computador ou conexão de internet. Você fez a escolha apesar da ausência da habilidade para agir sobre essa escolha. É o acesso ao computador e a conexão de internet que irá fornecer-lhe com Liberdade, ou capacidade, para realmente visitar o site. Arbítrio é a habilidade para escolher uma ação, enquanto Liberdade é a capacidade para realmente realizar a ação.

Independência é dada como oposta ao cativeiro. Independência é muitas vezes confundida como tendo o mesmo significado que Liberdade, mas há uma diferença. Definimos Liberdade como a capacidade de escolher uma ação. Independência vem de escolher e fazer ações corretas, aquelas que são justas perante Deus. É realmente impossível separar independência da obediência às leis de Deus.

Independência real vem apenas ao obedecer a um mandamento ou lei para alcançar o destino que você quer. Escravidão, ou cativeiro, é escolher um caminho e estar preso aos resultados, enquanto Independência é escolher seu destino ou o resultado e estar ligado ao caminho requerido para alcançar tal resultado.

A chave para entender e experimentar independência reside em escolher o resultado que queremos contra receber os resultado que nossos caminhos ditarem.

Se você quer a independência que vem de ser saudável e ter a capacidade de correr e não se cançar, andar e não desfalecer (D&C 89) você deve escolher aquele resultado de saúde e ter seu caminho ditado em conformidade com esse desejo. Se você estiver comprometido com esse resultado você não irá consumir donuts e refrigerante todos os dias -- essa escolha ligaria você ao resultado inerente a uma vida pouco saudável, e você estaria em cativeiro.

Nós podemos "escolher a liberdade e vida eterna por meio do grande Mediador de todos os homens, ou [escolher] o cativeiro e a morte, de acordo com o cativeiro e o poder do diabo". É apenas por meio da escolha do plano de Deus, através de Cris e seu plano de salvação que nós podemos realmente ter e experimentar independência. Esse foi também o entendimento dos Pais Fundadores. "Nossa constituição," disse John Adams, "foi feita apenas para um povo moral e religioso. Ela é completamente inadequada para o governo de qualquer outro povo."

Voltando para 2º Néfi, capítulo 2, versículo 25, lemos que "homens existem para que tenham alegria," É em escolher independência que iremos experimentar alegria, ou a felicidade.

Escolher a independência é escolher erguer-se pela verdade e pela retidão, para ser encontrado ao lado do Senhor. Escolher a independência resulta em experimentar o grau mais elevado de liberdade.

Isso dá um novo significado às palavras "Vida, Liberdade e Felicidade [mencionadas na declaração de independência dos EUA]." Essa vida é o tempo para nós sermos "provados, para ser testados e para escolher. Nossas decisões determinam nosso destino. [...] Aqueles que escolhem o caminho do Senhor" [escolher a independência] e "que se provarem fiéis 'herdarão o reino de Deus [...] e sua alegria [felicidade] será completa para sempre." (Russel M Nelson, Agora É o Tempo de Nos Prepararmos. Conferência Geral, abril de 2005).

"E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará." (João 8:32)



Tradução e adaptação: João Henrique Pereira


Atalhos relacionados:

O Livro de Mórmon, 2º Néfi 27



 conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.
João 8:32
E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.
João 8:32

As Forças Que Nos Salvarão, Pres. James E, Faust


Mensagem da Primeira Presidência        01/2007

As Forças Que Nos Salvarão

Sinto-me inspirado a elevar a voz de advertência contra o diabo e seus anjos — a fonte e a origem de todo o mal. Abordo esse assunto em espírito de oração, porque Satanás não é um tema inspirador. Considero-o como o grande imitador.
Creio que testemunharemos evidências cada vez maiores do poder de Satanás, à medida que o reino de Deus se torna mais forte. Creio que os esforços cada vez mais intensos de Satanás são, de certa forma, uma prova da veracidade desta obra. No futuro, a oposição se tornará mais sutil e ao mesmo tempo mais declarada. Será disfarçada com mais sofisticação e astúcia, mas também se tornará mais descarada. Precisaremos de mais espiritualidade para perceber todas as formas do mal e mais forças para resistir a ele. Os desapontamentos e reveses no trabalho de Deus, entretanto, serão apenas temporários, pois o trabalho irá avante. 1
Não é uma coisa boa interessar-se por Satanás e seus mistérios. Nada de bom pode resultar de aproximar-nos do mal. Tal como quando brincamos com fogo, é muito fácil nos queimar: “O conhecimento do pecado induz à sua prática”. 2 O único caminho seguro é manter-nos bem distante dele e de quaisquer de suas atividades iníquas e práticas depravadas. Os males do culto ao diabo, da feitiçaria, da bruxaria, do ocultismo, dos encantamentos, da magia negra e todas as outras formas de demonismo devem ser evitados como praga.
No entanto, o Presidente Brigham Young (1801–1877) disse ser importante “estudar (…) o mal e suas conseqüências”. 3 Sendo Satanás o autor de todo o mal no mundo, é essencial, portanto, dar-nos conta de que ele é a influência por trás da oposição à obra de Deus. Alma declarou esse ponto sucintamente: “Tudo que é bom vem de Deus e tudo que é mau vem do diabo”. 4
A principal razão de eu ter escolhido esse tema é ajudar os jovens, advertindo-os, como disse Paulo: “Para que não sejamos vencidos por Satanás; porque não ignoramos os seus ardis”. 5 Esperamos que os jovens, que pouco conhecem sobre as filosofias enganadoras do mundo, possam manter-se a salvo das tentações e armadilhas de Satanás. Não pretendo ter pessoalmente qualquer conhecimento especial quanto aos métodos de Satanás, mas, vez por outra, fui capaz de identificar sua influência e suas ações em minha vida e na vida de outras pessoas. Quando cumpria minha primeira missão, ele procurou desviar-me de meu futuro caminho e, se possível, destruir minha utilidade para a obra do Senhor. Isso foi há quase sessenta anos, mas ainda lembro muito bem como me pareceram razoáveis as suas propostas.

Os Apelos Sedutores de Satanás

Quem nunca ouviu e sentiu as instigações do diabo? Sua voz parece muitas vezes tão convincente, e sua mensagem tão fácil de justificar. É uma voz sedutora e atrativa, de doces tons. Não é ríspida nem discordante. Ninguém daria ouvidos à voz de Satanás se ela soasse áspera ou maldosa. Se a voz do diabo fosse desagradável, não seduziria as pessoas a lhe darem ouvidos.
Shakespeare escreveu: “O príncipe das trevas é um perfeito cavalheiro” 6 , e “O diabo sabe citar as escrituras para seus propósitos”. 7 Como o grande imitador, Lúcifer possui maravilhosos poderes de ilusão. Conforme disse Paulo aos coríntios: “E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz”. 8
Alguns dos argumentos mais eficazes de Satanás são: “Todo mundo está fazendo”; “Se não prejudica ninguém, tudo bem”; “Se você se sente bem fazendo isso, tudo bem”; ou “É isso que está na moda”. Essas armadilhas sutis fazem de Satanás o grande imitador, o mestre dos impostores, o maior dos farsantes e o grande mentiroso.
Todos possuímos um freio interior que nos detém antes de seguirmos Satanás longe demais no caminho errado. É uma voz mansa e delicada. Mas se nos permitirmos ceder à tentação de Satanás, o freio começa a vazar fluido, enfraquecendo e deteriorando nosso mecanismo de freagem.
Néfi nos deixou a fórmula ou padrão de ação de Satanás:
“E a outros pacificará e acalentará com segurança carnal, de modo que dirão: Tudo vai bem em Sião; sim, Sião prospera. Tudo vai bem — e assim o diabo engana suas almas e os conduz cuidadosamente ao inferno.
E eis que a outros ele lisonjeia, dizendo-lhes que não há inferno; e diz: Eu não sou o diabo, porque ele não existe — e assim lhes sussurra aos ouvidos até agarrá-los com suas terríveis correntes, das quais não há libertação.” 9
A Primeira Presidência descreveu Satanás: “Ele trabalha tão bem disfarçado, que muitos não o reconhecem, nem a seus métodos. Não existe crime que não cometa, nem devassidão que não invente, nem praga que não envie, nem coração que não despedace, nem vida que não tome ou alma que não destrua. Vem como o ladrão à noite; é um lobo disfarçado em pele de cordeiro”. 10 Satanás é o mestre mundial no uso da lisonja; ele conhece a grande força da língua e da fala, um poder que seus servos estão sempre utilizando. 11 Ele sempre foi uma das grandes forças do mundo.
Certa vez, ouvi Ernest LeRoy Hatch, que foi presidente do templo da Cidade da Guatemala, dizer: “O diabo não é esperto por ser o diabo; ele é esperto por ser muito velho”. De fato, o diabo é velho, e nem sempre foi o diabo. A princípio não era o perpetrador do mal. No início, fazia parte das hostes celestes. Era “um anjo de Deus, que possuía autoridade na presença de Deus”. 12 Antecipando-se a Cristo, propôs a Deus, o Pai: “Eis-me aqui, envia-me; serei teu filho e redimirei a humanidade toda, de modo que nenhuma alma se perca; e sem dúvida eu o farei; portanto dá-me a tua honra”. 13 Propunha-se a fazer isso à força, destruindo o arbítrio do homem.
Satanás tornou-se o diabo ao procurar obter glória, poder e domínio pela força. 14 Jesus, porém, tendo sido escolhido “desde o princípio”, disse a Deus: “Pai, faça-se a tua vontade e seja tua a glória para sempre”. 15 Que grande diferença na proposta! Por mais errado que estivesse, Satanás foi persuasivo o bastante para induzir um terço das hostes celestes a segui-lo. 16 Cometeu uma grande fraude ao dizer: “Eu também sou filho de Deus” 17 , persuadindo outros a amá-lo mais do que a Deus.

Arbítrio — Nossa Alternativa

O arbítrio que nos foi dado por meio do plano de nosso Pai é a grande alternativa ao plano de imposição de Satanás. Com esse sublime dom, podemos crescer, progredir e buscar a perfeição. Sem o arbítrio, nenhum de nós poderia crescer e desenvolver-se, aprendendo com nossos enganos e erros e com os de outras pessoas.
Devido à sua rebelião, Lúcifer foi expulso e “tornou-se Satanás, sim, o próprio diabo, o pai de todas as mentiras, para enganar e cegar os homens e levá-los cativos segundo sua vontade, sim, todos os que não derem ouvidos [à voz do Senhor]”. 18 E assim, esse personagem que foi um anjo de Deus com autoridade, foi banido da presença de Deus e de Seu Filho. 19 Isso causou muita tristeza nos céus, “porque os céus prantearam por ele — ele era Lúcifer, um filho da manhã”. 20 Acaso isso não dá aos seguidores de Cristo a responsabilidade de se preocupar com os entes queridos que se desviaram do caminho, estando “banidos da presença de Deus”? 21 Não conheço melhor maneira de demonstrar amor incondicional do que ajudar a alma perdida a buscar outro caminho.
Satanás, porém, exerce uma importante função negativa. Em 2 Néfi lemos: “Porque é necessário que haja uma oposição em todas as coisas”. 22 De fato, Pedro adverte: “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar”. 23
C. S. Lewis, um escritor cristão, deu-nos uma visão perspicaz das táticas do diabo. Numa carta fictícia, Screwtape, o diabo-chefe, instrui o aprendiz de diabo Wormwood, que está procurando se tornar mais experiente:
“Você dirá que são apenas pecados insignificantes. Sem dúvida, como todos os jovens tentadores, você está ansioso para relatar iniqüidades espetaculares. (…) Não importa quão pequenos sejam os pecados, uma vez que seu efeito cumulativo é afastar o homem da Luz e levá-lo ao Nada. (…) Na verdade, o caminho mais seguro para o inferno é o caminho gradual — declive suave, pavimento macio, sem curvas fechadas, sem marcos, sinais ou postes indicadores.” 24
C. S. Lewis também escreveu: “Aceita-se como válida a tola idéia de que as pessoas de bem não sabem o que significa tentação. Isso obviamente é mentira. Só quem procura resistir à tentação sabe como ela é forte. (…) Descobre-se a força do vento ao caminhar-se contra ele, e não ao deitar-se no chão”. 25
O Profeta Joseph Smith disse por experiência própria: “Quanto mais a pessoa se aproxima do Senhor, maior poder será manifestado pelo adversário para impedir a realização de Seus propósitos”. 26

Nossa Defesa: Permanecer Firmes

Contudo, não precisamos ficar paralisados por medo do poder de Satanás. Ele não tem poder sobre nós, a menos que o permitamos. Na verdade, ele é covarde, e se ficarmos firmes, ele recuará. O Apóstolo Tiago aconselhou: “Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós”. 27 Ele não consegue ler nossos pensamentos, a menos que os expressemos com palavras. Néfi disse que o diabo “não tem poder sobre o coração” das pessoas justas. 28 Ouvimos comediantes e outras pessoas justificarem ou explicarem suas más ações, dizendo: “O diabo me induziu”. Não creio que o diabo consiga realmente nos induzir a fazer coisa alguma. Sem dúvida ele pode tentar e enganar, mas não tem autoridade sobre nós, a menos que o permitamos.
O poder de resistir a Satanás pode ser maior do que imaginamos. O Profeta Joseph Smith ensinou: “Todos os seres com corpos possuem domínio sobre os que os não têm. O diabo não tem poder sobre nós, exceto se o permitirmos. No momento em que nos rebelarmos contra qualquer coisa que vier de Deus, o diabo exercerá seu domínio”. 29
Declarou ainda: “Os espíritos iníquos têm seus limites, termos e leis pelos quais são governados”. 30 Portanto, Satanás e seus anjos não são todo-poderosos. Um dos métodos de Satanás é persuadir a pessoa que transgrediu de que não existe esperança de perdão. Mas sempre existe esperança. Para a maioria dos pecados, por mais graves que tenham sido, há a possibilidade de arrependimento, se o desejo for suficientemente sincero.

Discernir o Mal

Satanás tem tido muito sucesso com esta geração facilmente influenciável. Em conseqüência disso, multidões, literalmente, se tornaram vítimas dele e de seus anjos. No entanto, existe um grande escudo contra o poder de Lúcifer e de suas hostes. Essa proteção acha-se no espírito de discernimento, por meio do poder do Espírito Santo. Esse dom se manifesta invariavelmente pela revelação pessoal àqueles que se empenham em obedecer aos mandamentos do Senhor e em seguir o conselho dos profetas vivos.
Essa revelação pessoal virá, sem dúvida, a todos aqueles que têm os olhos fitos na glória de Deus, porque têm a promessa de que seu “corpo se encherá de luz e [neles] não haverá trevas”. 31 Todos que se achegam a Cristo pela obediência aos convênios e ordenanças do evangelho podem frustrar os esforços de Satanás. Os humildes seguidores do divino Mestre não serão enganados pelo diabo se forem honestos e sinceros com seus semelhantes, se forem à casa do Senhor, tomarem o sacramento dignamente, santificarem o Dia do Senhor, pagarem seu dízimo e ofertas, orarem com contrição, se empenharem no trabalho do Senhor e seguirem aqueles que os presidem.
Há forças que nos salvarão das crescentes mentiras, desordens, violência, caos, destruição, miséria e fraudes que vemos na Terra. Essas forças salvadoras são os eternos princípios, convênios e ordenanças do evangelho eterno do Senhor Jesus Cristo. Esses mesmos princípios, convênios e ordenanças estão ligados aos direitos e poderes do sacerdócio do Deus Onipotente. Nós, desta Igreja, somos portadores e guardiães desses poderes dominantes que podem fazer retroceder grande parte do poder de Satanás na Terra, e sem dúvida o farão. Cremos que possuímos esses poderes vigorosos em benefício de todos os que morreram, de todos os que vivem hoje e dos que ainda estão por nascer.
Oro que, ao expandirmos a retidão, as mãos malignas do destruidor sejam detidas para que não lhes seja permitido amaldiçoar o mundo inteiro. Oro a Deus que revele nossas fraquezas, imperfeições e numerosas falhas e que perdoe generosamente nossos erros e transgressões. Que Ele dê alívio aos que sofrem, consolo aos que choram e paz aos que estão aflitos e abatidos.



    Notas

  1. Ver D&C 3:1; 65:2.
  2. Joseph F. Smith, Gospel Doctrine, 5ª ed., 1939, p. 373.
  3. Discourses of Brigham Young, sel. John A. Widtsoe, 1941, p. 257.
  4. Alma 5:40.
  5. II Coríntios 2:10–11.
  6. Rei Lear, ato 3, cena 4, verso 148.
  7. O Mercador de Veneza, ato 1, cena 3, verso 99.
  8. II Coríntios 11:14; ver também 2 Néfi 9:9.
  9. 2 Néfi 28:21–22.
  10. James R. Clark, comp., Messages of the First Presidency of The Church of Jesus Christ of Latter-day Saints, 6 vols., 1965–1975, volume 6, p. 179.
  11. Ver Jacó 7:4.
  12. D&C 76:25.
  13. Moisés 4:1.
  14. Ver Moisés 4:3–4.
  15. Moisés 4:2.
  16. Ver Apocalipse 12:4; D&C 29:36.
  17. Moisés 5:13.
  18. Moisés 4:4.
  19. Ver D&C 76:25.
  20. D&C 76:26.
  21. Ver Moisés 6:49.
  22. 2 Néfi 2:11.
  23. I Pedro 5:8.
  24. The Screwtape Letters, 1961, p. 56.
  25. Mere Christianity, 1960, p. 124.
  26. Orson F. Whitney, Life of Heber C. Kimball, 1945, p. 132.
  27. Tiago 4:7.
  28. Ver 1 Néfi 22:26.
  29. The Words of Joseph Smith, ed. Andrew F. Ehat e Lyndon W. Cook, 1980, p. 60.
  30. History of the Church, volume 4, p. 576.
  31. D&C 88:67.